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Tantas atitudes que não levaram a nada, que não adiantaram nada, que não mudaram nada, que não serviram para nada. É isso que chamam impossível? Ou teimosia?
Escrito por L às 15h33
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Reativamento de Conta
Depois de longo outono, inverno, primavera e verão, eis que bateu vontade de você de novo. Pois, aqui estamos, conturbados e aflitos, mas vai passar. E hoje eu realmente entendi que a humanidade sempre pode ser mais bizarro do que o absurdo de bizarra que já se imagina que ela seja. Pois lá estava eu subindo para entrevistar meu entrevistado, quando reparo nos meus colegas de elevador. Havia um senhor e uma moça. Ela, mais que desinibida, desapegada, desajeita, saca uma pinça da bolsa e começa a sessão depilação de pelos excedentes no queixo! Sério mesmo? Sério. Só restou me dar a liberdade de fazer cara de não é possível. E ela? fez cara de nem aí.
Escrito por L às 19h09
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Segundo uma das edições da revista da Daslu, o Jockey é o lugar mais eclético de São Paulo. Vejam só, como tudo é uma questão de ponto de vista.
Escrito por L às 20h17
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Doce Uruguai
Estive no uruguai por apenas 2 dias no fim do ano passado. Em uma cidadezinha chamada Colônia, que de tão linda, parecia cenário de filme. De verdade, me senti em O Talentoso Ripley, que foi filmado no sul da Itália.Todos andavam em lambretas antigas, dos mais velhos aos mais novos, do vô ao bisneto. E todo mundo tinha a porta das casas abertas, para o sol entrar e a poeira sair. Até o dinheiro deles tem mais graça. É que cada nota traz a pintura de um artista importante. E no fim da tarde, o pôr do sol no Rio da Prata deixa tudo alaranjado. Parece fim de tarde na praia porque o rio "más ancho del mundo" não nos deixa enxergar sua outra margem.Ah, e a água é, claro, prata. Eles têm batucada também, o candombe. Acho que se escreve assim. Na noite do reveillon parecia carnaval na Bahia. Porque eles têm não só a batucada como o que vem junto com ela, que é aquela zona toda. E tem meninos lindos lá. O garçonzinho lindo se apaixonou por BM. O parrillero com cara de menino italiano dos anos 60, com direito a boina virada para o lado e tudo, engraçou-se por mim. Mas todo mundo desencontrou-se no meio do candombe, a música que rega a festa do uruguai. Lembrei-me muito do Uruguai nesses últimos dias, com a vitória da esquerda, o que significou, segundo a imprensa, a consolidação da esquerda na américa latina. Então, lembrei de um texto que GA, que é uruguaia de ponta a ponta, me enviou sobre seu lindo e pequeno país. O texto é do escritor Eduardo Galeano. Ele reclama que seu Uruguai é tão esquecido pelo resto do mundo que pode-se até duvidar da existência dessas terras no sul do globo. Mas não é isso, não, Galeano. É que seu país é tão lindo e interessante, que nem parece de verdade.
Escrito por L às 17h10
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Uma contradição chamada Uruguai (Eduardo Galeano)
Escritor traça um perfil realista e apaixonado de seu país, nosso vizinho discreto.
Montevidéu. Nós os uruguaios temos certa tendência a acreditar que nosso país existe, mas o mundo não sabe. Os grandes meios de comunicação, os que têm influência universal, jamais mencionam esta nação pequena e perdida no sul do mapa. Numa exceção, há alguns meses, a imprensa britânica se ocupou de nós, nas vésperas da visita do príncipe Charles. Então, o prestigiosos diário The Times informou a seus leitores que a lei uruguaia autoriza o marido traído a cortar o nariz da esposa infiel e castrar o amante. The Times atribui à nossa vida conjugal esses maus costumes das tropas coloniais britânicas: se agradece a gentileza, mas a verdade é que tão baixo não temos caído. Este país bárbaro, que aboliu os castigos corporais nas escolas cento e vinte anos antes que a Grã- Bretanha, não é o que parece quando é visto de cima e de longe. Se os jornalistas descessem do avião, poderiam ter algumas surpresas.
Nós os uruguaios somos poucos, nada mais que três milhões. Cabemos, todos, em apenas um bairro de qualquer das grandes cidades do mundo. Três milhões de anarquistas conservadores: não gostamos que ninguém nos mande e custamos a mudar. Quando nos decidimos a mudar, a coisa fica séria. Agora sopram, no país, bons ventos de mudança. Já chegou a hora de deixarmos de ser testemunhas de nossas próprias desgraças.
O Uruguai já está tempo demais estacionado em sua própria decadência, desde as épocas em que supúnhamos estar na vanguarda do mundo. Os protagonistas haviam se tornado espectadores. Três milhões de ideólogos políticos, e a política prática em mãos dos politiqueiros que têm convertido os direitos dos cidadãos em favores do poder; três milhões de técnicos de futebol, e o futebol uruguaio vivendo de nostalgia; três milhões de críticos de cinema, e o cinema nacional não deixou de ser apenas uma esperança.
O país que é vive em perpétua contradição com o país que foi. A jornada de trabalho de oito horas foi imposta por lei, no Uruguai, um ano antes que nos Estados Unidos e quatro antes que na França; mas hoje em dia encontrar trabalho é um milagre, e milagre maior é encher a panela trabalhando nada mais que oito horas: só Jesus poderia, se fosse uruguaio e fosse capaz de multiplicar pães e peixes.
O Uruguai teve lei de divórcio setenta anos antes que a Espanha, e o voto feminino quatorze anos antes da França; mas na realidade segue tratando as mulheres pior que os tangos, e as mulheres brilham por sua ausência no poder político, umas poucas ilhas femininas em um mar de machos.
O sistema de poder, um sistema cansado e estéril, não apenas trai sua própria memória: além disso, sobrevive em contradição perpétua com a realidade nacional. O país depende do campo, as vendas ao exterior de carnes, couros, lã e arroz, mas o campo está nas mãos de poucos. Esses poucos, que defendem as virtudes da família cristã, demitem peões que se casam e maltratam a pouquíssima gente que trabalha em suas imensas propriedades abençoadas por Deus. Os pequenos e médios produtores recebem um peso por cada produto que vale dez, e terminam abandonando a produção para tentar a sorte em Montevidéu. A capital do país, centro do poder burocrático, congrega metade da população nacional.
Cada vez mais gente mal sobrevive recolhendo lixo; e no passo em que vamos, os produtores rurais caberão todos juntos num estádio de futebol, e ainda vai sobrar espaço. Mas o Uruguai tem mais terra cultivável do que o Japão, e uma população quarenta vezes menor. Aqui, quem quer terra para trabalhar bate com a cara na porta; e quem alguma terra consegue, depende dos créditos que os bancos outorgam sempre a quem tem, e nunca a quem necessita.
Em matéria de contradições entre o poder e a realidade, ganhamos os campeonatos mundiais que o futebol nos nega. No mapa, rodeado por seus vizinhos, o Uruguai parece um anão. Nem tanto. Temos cinco vezes mais terra do que a Holanda e cinco vezes menos habitantes. Mesmo assim, são muitos os uruguaios que emigram, porque aqui não encontram um lugar ao sol. Uma população escassa e envelhecida: poucas crianças nascem; nas ruas se vêem mais cadeiras de roda do que carrinhos de bebês. Quando essas poucas crianças crescem, o país as expulsa. Existem uruguaios até no Alasca e Havaí.
Há vinte anos, a ditadura militar jogou muita gente no exílio. Em plena democracia, a economia está controlada pelos banqueiros que praticam o socialismo socializando suas fraudulentas bancarrotas e praticam o capitalismo oferecendo um país de serviços. Para entrar pela porta de serviço no mercado mundial, nos reduzem a um santuário financeiro com sigilo bancário, quatro vacas atrás, e vista para o mar. Nessa economia, a gente sobra, por pouco que seja.
Modéstia à parte, tudo tem que ser dito, também por bons motivos deveríamos figurar no Livro dos Recordes. Durante ditadura militar não houve um só intelectual importante no Uruguai, nem cientista relevante, nem um só, disposto a aplaudir os mandantes. E nos tempos que correm, já na democracia, o Uruguai foi o único país no mundo que derrotou as privatizações numa consulta popular: no plebiscito no final de 1992, 72% dos uruguaios decidiram que os serviços públicos essenciais continuariam sendo públicos. A notícia não mereceu nem uma linha na imprensa mundial, apesar de ser uma insólita prova de sentido comum. A experiência de outros países latino-americanos nos ensina que as privatizações podem engordar as contas privadas de alguns políticos, mas duplicam a dívida externa, como ocorreu na Argentina, Brasil, Chile e México nos últimos dez anos; e as privatizações humilham, a preço de banana, a soberania.
O habitual silêncio dos grandes meios de comunicação evitou qualquer possibilidade, por mínima que fosse, de que o plebiscito contagiasse com seu exemplo outros povos. Mas, dentro da fronteira, aquele ato coletivo de afirmação nacional na contracorrente, aquele sacrilégio contra a ditadura universal do dinheiro, anunciou que está viva a energia de dignidade que o terror militar tentou aniquilar.
Valham estas linhas, se de algo valem, como uma declaração de voto pelo Encontro progressista. Oxalá as urnas confirmem, nessas eleições de 31 de outubro, a vocação respondona desse país paradoxal, onde eu nasci e voltaria a nascer.
Escrito por L às 16h52
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Culpa
Cada dia mais me asseguro da culpa cristã que nos invade invisivelmente pelas entranhas. Tudo, absolutamente tudo, gera culpa. E olha que nem católica sou, muito menos temente a Deus. E quem disse que precisa ser católica pra padecer dos males da casa do Papa. O catolicismo é tão grudado na nossa mentalidade que nem sequer precisamos ser católicos pra seguir seus preceitos - é como os Estados Unidos, a gente nem precisa gostar dos Estados Unidos para ser americanizado. E se um dos preceitos é a culpa, claro, a gente é culpado por tudo. Se sente raiva, dá culpa. Se sente pena, dá culpa. Se gasta, dá culpa. Se não tem dinheiro pra gastar, é porque não fez pra ter por merecer. Dá culpa. Se sente tesão por mais de um, dá culpa (vc pensa que não, mas dá). Tudo dá culpa! É como me disse hoje JB, que diz o Simão; "Tudo isso porque o homem morreu na cruz! Por que o danado não morreu deitado no sofá, vendo tv?". Porque, meu Deus???
Escrito por L às 19h26
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Amor Barato
Chico Buarque
Eu queria ser um tipo de compositor capaz de cantar nosso amor modesto um tipo de amor que é de mendigar cafuné que é pobre e às vezes nem é honesto Pechincha de amor, mas que eu faço tanta questão que se tiver precisão, eu furto Vem cá meu amor, agüenta o teu cantador me esquenta porque o cobertor é curto Mas levo esse amor com o zelo de quem leva o andor eu velo pelo meu amor que sonha que, enfim, nosso amor, também pode ter seu valor também é um tipo de flor que nem outro tipo de flor dum tipo que tem que não deve nada a ninguém que dá mais que Maria-Sem-Vergonha Eu queria ser um tipo de compositor capaz de cantar nosso amor barato Um tipo de amor que é esfarrapar e cerzir que é de comer e cuspir no prato Mas levo esse amor com o zelo de quem leva o andor eu velo pelo meu amor que sonha que, enfim, nosso amor, também pode ter seu valor também é um tipo de flor que nem outro tipo de flor dum tipo que tem que não deve nada a ninguém Que dá mais que Maria-Sem-Vergonha
Escrito por L às 14h14
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O tipo de amor que não deve a ninguém... que dá mais que Maria-Sem-Vergonha.
Escrito por L às 18h53
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É só porque o egoísmo me deixa perplexa, me fere, me mata. E quanto egoísmo há nisso.
Escrito por L às 19h32
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Mi Buenos Aires Querido
A vida na Bacia do Prata està pra là de boa. Volta comigo Bacia do Prata?
Escrito por L às 15h31
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Fui ver o painel na Estação da Luz. É lindo, vivo e tem tanta coisa nele...
Escrito por L às 15h32
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Tenho Warner e band news. Ufa.
Escrito por L às 11h51
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Mudei. Ufa.
Escrito por L às 19h05
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É só porque dói. Muito.
Escrito por L às 12h41
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Ocidente vs Oriente
Ontem eu e Cg. tivemos nossa personalidade explicitada na sua mais perfeita tradução. Um amigo anda deprimidinho e sem dormir. Sente angústia e medo da solidão. Resolvemos ajudá-lo: eu levei um ótimo remedinho pra ele cair no sono e ela, dois incensos cheirosos! Sacou?
Escrito por L às 23h23
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